A PF (Polícia Federal) apurou que as 10 granadas antitanque encontradas segunda-feira passada, 01, à noite em uma casa no bairro Jardim Jóia, em Arujá, iriam abastecer o arsenal do narcotráfico no Rio de Janeiro para atacar instalações de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), e explodir o "caveirão", caminhão blindado de transporte do pelotão de choque, em especial, o BOPE (Batalhão de Operações Especiais).
Os artefatos, calibre 62 milímetros, foram apreendidos pela DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes) da PF em poder de três traficantes que haviam acabado de receber um carregamento de 550 quilos de cocaína boliviana, avaliados em US$ 3 milhões.
A carga da droga saiu de Mato Grosso do Sul em um caminhão com placas de Dourados, cidade que fica distante 150 quilômetros da fronteira com o território paraguaio.
Com relação às granadas, o armamento estava estocado em um compartimento secreto da residência. "A cocaína seria distribuída provavelmente em São Paulo e no Rio de Janeiro", disse o ministro da Justiça, Tarso Genro, durante a instalação do Cidade de Paz, que é um programa de integração de políticas de segurança e ações sociais, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
A PF informou a Tarso Genro que os explosivos seriam entregues ao comando do tráfico nos morros cariocas. "Estamos convencidos de que essas granadas antitanque iriam para enfrentamentos no Rio de Janeiro, contra as Unidades de Pacificação da polícia", disse o ministro. "Seriam utilizadas para atacar os dispositivos de segurança que estão sendo instalados."
O setor de inteligência da PF analisou o armamento e constatou seu alto poder destrutivo, que seria o suficiente para romper a blindagem de carro-forte e atingir seus ocupantes.
A cúpula da PF determinou rigorosa investigação para identificar a origem dos explosivos e como eles foram parar nas mãos do grupo detido em Arujá.
Uma pista são dizeres gravados em espanhol nas embalagens. Os federais acreditam que a ofensiva do narcotráfico é sinal de reação às medidas adotadas pela polícia do Rio de Janeiro.
Tarso Genro enalteceu a PF. "Seguramente, onde essa cocaína chegasse iria atingir em cheio nossa juventude".
Ele ressaltou que operações como a que levou à apreensão dos explosivos "é apenas uma forma de combate fundamental e necessária".